O Brasil depende do modal rodoviário para escoar suas mercadorias e, naturalmente, da mão de obra dos motoristas de caminhão para garantir a movimentação de cargas pelas estradas do país e do Mercosul, porém há escassez de caminhoneiros.

Mesmo com cerca de 2 milhões de profissionais em atividade atualmente (dados da Confederação Nacional do Trabalho), a escassez de caminhoneiros qualificados preocupa o setor.

A questão é que o dia a dia nas rodovias traz uma série de desafios.

A maioria dos caminhoneiros considera a atividade perigosa, desgastante, pouco rentável, desvalorizada, que exige muitas horas de trabalho, danosa à saúde e à qualidade de vida, solitária e alvo de discriminação, entre outras queixas.

A insatisfação dos profissionais, somada à pouca qualificação e à alta rotatividade, representa mais um grave problema ao setor de transporte e logística, que já enfrenta um sem-fim de dificuldades – entre eles os prejuízos com roubo de cargas, altos índices de acidentes, falta de infraestrutura nas estradas, custos elevados e outros desafios logísticos.

Neste artigo, vamos mostrar como a escassez de caminhoneiros afeta grandes economias mundiais e se tornou, também, uma realidade no Brasil.

Com base no último levantamento feito pela CNT, vamos mostrar o que os motoristas de caminhão pensam sobre a profissão, além de entender como o ecossistema de logística pode utilizar a tecnologia e novas soluções para se tornar mais colaborativo, valorizando melhor os caminhoneiros e suas relações de trabalho.

Aproveite a leitura!

Escassez de caminhoneiros, um problema no mundo todo

A falta de caminhoneiros é uma preocupação em grandes economias ao redor do mundo.

A carência de profissionais no Reino Unido, que chegou a provocar a escassez de combustíveis nos postos e de itens básicos nos supermercados, acentuou a discussão.

Estimativas da Associação de Transporte Rodoviário do Reino Unido indicam a falta de aproximadamente 100 mil motoristas.

O problema teria sido causado em parte pelo Brexit e também pela pandemia, que prejudicou os treinamentos e novas habilitações.

A Câmara de Comércio britânica chegou a oferecer 5,5 mil vistos temporários a motoristas estrangeiros, mas a medida foi criticada por ser insuficiente, considerada um “copo d’água em uma fogueira”.

Militares britânicos também ficaram a postos para o caso de terem de conduzir caminhões até os postos de combustível.

O assunto virou destaque nos noticiários.

A falta de caminhoneiros habilitados para o transporte rodoviário de cargas é problema também nos Estados Unidos, com filas de navios esperando para carregar e descarregar nos portos porque não há caminhões.

Insatisfação e aposentadoria iminente

Alemanha, Espanha, Japão e Canadá enfrentam situações semelhantes de escassez de mão de obra.

A Associação de Caminhoneiros de Ontário (OTA) apontava, já em 2018, 22 mil vagas abertas no Canadá, com expectativa de chegar a 34 mil até 2024.

Nos Estados Unidos, um estudo mostrou que quase 25% da força de trabalho dos motoristas comerciais deve se aposentar na próxima década.

Mais da metade dos profissionais (57%) tem mais de 45 anos. Segundo o American Trucking Associations (ATA), a falta de motoristas pode chegar a 160 mil até 2028.

Situação no Brasil com escassez de caminhoneiros é preocupante

No Brasil, a situação também preocupa. Pesquisa do Setcesp (Sindicato das Empresas de Transporte do Estado de São Paulo) revelou que o número de motoristas que se habilitam profissionalmente nas categorias C, D e E está em queda, enquanto a média de idade dos caminhoneiros segue em ascensão.

Em São Paulo, cerca de 81% das empresas já disseram sofrer com a escassez de caminhoneiros e mais de 34% alegam que a rotatividade de profissionais representa um problema.

Em 38% das empresas consultadas há algum veículo ou parte da frota parada, sem motoristas suficientes para que todos os caminhões estejam rodando.

Caminhoneiros e os desafios do dia a dia

Enquanto as empresas do setor de transporte e logística buscam soluções para evitar que a escassez de caminhoneiros se agrave no Brasil, os motoristas de caminhão expõem os desafios que enfrentam no dia a dia.

O tempo longe de casa, da família e dos amigos, a falta de segurança e as más condições das estradas, o excesso de exigências legais, noites mal dormidas, saúde comprometida, tempo de espera nos embarques e desembarques, remuneração considerada inadequada, altos custos para os autônomos e discriminação estão entre as principais queixas.

A Confederação Nacional dos Transportes fez um levantamento do perfil dos caminhoneiros no Brasil.

Os últimos resultados revelam a percepção de quem vive nas estradas, sejam autônomos ou empregados de empresas de transporte.

Os pontos negativos da profissão, segundo os caminhoneiros, que podiam citar mais de um item, são:

  • Atividade perigosa/insegura – 65,1%;
  • Desgastante – 31,4%;
  • Convívio familiar comprometido – 28,9%;
  • Pouco rentável financeiramente – 20%;
  • Profissão solitária – 18%;
  • Rotina árdua de trabalho – 13,1%;
  • Requer dedicação excessiva – 6,9%;
  • Estereótipos negativos – 6,7%;
  • Discriminação – 0,3%;
  • Outros – 1,9%.

Baixa autoestima e pouca perspectiva de futuro

Com uma média de 18,8 anos de profissão, os caminhoneiros brasileiros se sentem pouco valorizados e acreditam que sua imagem não é boa perante a sociedade.

Na lista daquilo que eles imagem que as pessoas pensam a seu respeito estão “usuário de drogas, imprudentes no trânsito, irresponsáveis, pessoas sem instrução”.

Apenas 16,8% dos caminhoneiros acreditam ser vistos como profissionais importantes para a economia do país e somente 23,6% tem esperança de que a atividade será melhor daqui a dez anos.

A principal ameaça ao futuro da profissão, acreditam 50,4% dos entrevistados, está no baixo ganho.

A má qualidade das rodovias seria a responsável pelo declínio da profissão para 20,9% e para 15,6% é a falta de qualificação que deixa poucas perspectivas.

Como fazer uma gestão inteligente de custos com combustível?

As principais dores dos caminhoneiros

Ao mesmo tempo que a tecnologia tem auxiliado as empresas do setor de transporte e logística a tornar suas operações mais visíveis e facilitado a comunicação com quem percorre as rodovias do país, os caminhoneiros ainda se ressentem com a vida solitária.

O tempo longe de casa pesa para muitos deles: 19,3% ficam de 16 a 20 dias por mês na estrada e 15,8%, de 26 a 30 dias.

A média mensal de quilômetros rodados por veículo, no Brasil, é de 9.561,3 km, segundo levantamento da CNT, e ainda que exista legislação para regular a jornada, o número de horas trabalhadas por dia, em média, é de 11,5 horas.

Outras queixas dos motoristas, conforme estudo da CNT:

Noites mal dormidas

Dormir bem é essencial para uma direção segura e atenta, mas o descanso nas cabines ou em pontos de parada nem sempre é satisfatório, alegam os caminhoneiros.

Para 18,8% dos motoristas de caminhão, a qualidade do sono é regular e para 11,2% é ruim ou péssima. Apenas 22,8% consideram seu descanso ótimo.

Problemas de saúde

Não é raro que os caminhoneiros negligenciem seus cuidados com a saúde. Até 30% dos profissionais apresentam algum tipo de problema de saúde relacionado à profissão e ao sedentarismo.

Os problemas médicos mais frequentes são pressão alta, dificuldades de visão, dores de cabeça, coluna, estresse, dores no joelho, gastrite, diabetes e obesidade.

As questões psicológicas são outro desafio: 57,9% dos caminhoneiros entrevistados na pesquisa da CNT tiveram depressão.

Para 31,6%, a queixa foi irritabilidade constante, seguida de baixa autoestima, indisposição para realizar tarefas, perda de memória, falta de concentração, ansiedade, estresse e síndrome do pânico.

Condições das estradas

A falta de infraestrutura, rodovias mal sinalizadas, sem duplicação, sem acostamentos ou ausência de terceiras faixas, além dos buracos e falta de locais adequados para descanso e alimentação são apontados como motivos de estresse e insegurança pelos motoristas.

Para 10,9% dos caminhoneiros, as condições precárias das rodovias são a causa dos acidentes.

Assaltos e risco de vida

Os caminhoneiros também se mostram preocupados com sua integridade física.

Além dos acidentes, o roubo de cargas é classificado como um risco à atividade a ponto de metade dos motoristas já ter recusado viagens por conta do receio de ser assaltado.

Mais de 64% consideram os assaltos e roubos o principal problema da profissão.

Em segundo lugar estaria o custo do combustível, seguido do baixo valor do frete, riscos de acidente, deficiência na infraestrutura rodoviária, custo dos pedágios, baixa demanda, fadiga e estresse e altos custos para renovação da frota/caminhão.

Rendimento insatisfatório

A renda mensal líquida dos caminhoneiros no Brasil, conforme o levantamento feito pela CNT, descontando os impostos, encargos sociais, combustível, aluguel, manutenção etc. era de R$ 5.011,39 para autônomos em 2019 e R$ 3.720,56 para empregados.

De modo geral, no Brasil, 80,8% dos caminhoneiros atribuem os baixos salários à decisão de mudar de profissão.

Como evitar um colapso de escassez de caminhoneiros igual ao do Reino Unido?

O setor de transporte e logística está cada vez mais ligado a novos processos, mais modernos e tecnológicos, melhorando a performance e a eficiência operacional.

Sistemas e soluções avançadas garantem a melhoria da gestão logística e o gerenciamento dos riscos.

Neste contexto, é fundamental que o ecossistema de logística passe a olhar de forma colaborativa e atenta aos mais de 2 milhões de caminhoneiros que garantem o transporte das riquezas pelas estradas brasileiras.

Se não for assim, o país corre o risco de viver um colapso semelhante ao experimentado no Reino Unido, que busca inclusive mão de obra estrangeira para garantir o abastecimento interno.

É hora de inovar e investir em novas tecnologias para amenizar as dores dos motoristas profissionais.

Tecnologia no combate a escassez

Mais treinamentos, um olhar atento às condições de trabalho, meios de aproximar os caminhoneiros da família com investimentos em uma logística mais eficiente e integrada são alternativas viáveis e que farão a diferença.

Prevenir e mitigar os riscos por meio de planos de gerenciamento de risco ainda mais eficazes, mecanismos para aprimorar a fluidez logística integrando as operações e proporcionando, por exemplo, menos tempo de espera por fretes de retorno, com base em uma gestão mais inteligente das frotas, além de capacitações a distância (e-learning) são práticas perfeitamente possíveis.

As ferramentas e plataformas de gestão logística já existem e podem resolver grande parte das dores dos caminhoneiros brasileiros, demonstrando a valorização do setor e a preocupação com a segurança e o bem-estar destes profissionais, aliadas ao combate da escassez de caminhoneiros.

Uma preocupação a menos com a escassez de caminhoneiros

O Brasil já enfrenta uma série de desafios no setor de transporte e logística. A escassez de caminhoneiros não precisa ser mais um gap – ainda que entidades da categoria já vislumbrem esse como um novo gargalo para a distribuição de cargas no país.

A cada ano, cerca de 130 mil novos caminhões entram em circulação, somando aos 2,5 milhões que já estão rodando.

Neste ritmo, vai sobrar caminhão e faltar profissional, já que a média de idade dos caminhoneiros autônomos no Brasil é de 46 anos e, dos empregados de frota, 41 anos.

Como 65,1% consideram a profissão desgastante e poucos veem a atividade com o mesmo glamour do passado, não é difícil imaginar que se alguma coisa não for feita logo, o setor não terá jovens profissionais motivados nas estradas.

Aposte em tecnologia e soluções integradas para reduzir a escassez de caminhoneiros

O caminho para a valorização e retenção de bons profissionais – a quem você confiará suas cargas – está no uso de soluções inovadoras de gestão logística, gerenciamento dos riscos para melhoria na segurança (menos acidentes e roubos), melhor controle das jornadas e cumprimento da legislação, gestão das frotas, redução do tempo de espera, aprimoramento das janelas de entrega e bons programas de prevenção de acidentes e treinamento.

Para combater a escassez de caminhoneiros, é preciso valorizar os motoristas diferenciados e comprometidos com a operação, criando programas especiais para motivá-los e engajá-los nas operações.

Empresas que vão além do tradicional e utilizam programas de gestão de riscos e de eficiência logística para criar ações especiais de valorização profissional, capacitação, reconhecimento certamente vão se destacar no mercado, atrair mão de obra e reter talentos.

Se você quer valorizar seus motoristas e garantir profissionais mais engajados, produtivos, saudáveis e felizes, invista em soluções inteligentes, pense diferente, olhe de forma especial para os motoristas e crie programas diferenciados para estes profissionais.

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