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Causado pelos impactos do coronavírus, o mundo enfrenta uma pandemia: milhares de mortes, caos na saúde, colapso em hospitais, atividades produtivas paralisadas, escolas e universidades fechadas, cerca de um terço da população do planeta em quarentena, crise econômica mundial.

Reflexos da disseminação dos impactos do coronavírus em todos os continentes e de uma situação sem precedentes na história recente.

No Brasil, o primeiro caso de COVID-19 foi confirmado pelo Ministério da Saúde no dia 26 de fevereiro. A primeira morte, registrada em 17 de março.

Deste então, o país entrou em uma espiral de crescimento no número de vítimas. Especialistas apontam para longas semanas de más notícias.

Atividades essenciais

Considerado um serviço essencial, o transporte de cargas é o responsável pelo abastecimento do país e, por isso, não pode parar.

Supermercados, farmácias, postos de combustíveis, serviços de saúde e outras atividades necessárias à produção e à manutenção das condições básicas da população não fecharam suas portas.

Ainda que estados tenham adotado medidas restritivas para evitar aglomerações e interrompido tudo aquilo que não é considerado imprescindível, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde que apontam o afastamento social como medida para evitar a proliferação do vírus, serviços essenciais precisam ser mantidos.

Neste contexto, o transporte rodoviário tem papel fundamental para garantir o escoamento das mercadorias e insumos de Norte a Sul do país.

Indicadores da Opentech para os impactos do coronavírus

Para entender os efeitos do coronavírus nas operações de transporte rodoviário gerenciadas pela Opentech, a empresa analisou alguns indicadores que mostram como o setor se comportou nas primeiras semanas da pandemia no Brasil.

Volume de viagens

A análise da Opentech compara a primeira e a segunda quinzenas de março de 2020, período pré e pós-pandemia.

Entre os dias 16 e 31 do mês, a empresa avalia que o volume de embarques ficou abaixo do esperado, ainda que não nas mesmas proporções gerais do mercado, conforme apresentado em pesquisa da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística.

O levantamento realizado entre os dias 23 e 29 de março indica que o impacto da COVID-19 no Brasil provocou queda de 26,9% no volume geral de cargas transportadas no período, puxada principalmente pela distribuição nas lojas de rua (redução de 43,4%) e em residências (diminuição de 38%).

Apesar disso, setores essenciais como medicamentos e alimentos mantiveram suas entregas.

De acordo com os indicadores da Opentech, a segunda quinzena de março é, tradicionalmente, marcada pelo aumento na movimentação de mercadorias em relação à primeira quinzena do mês, em função da sazonalidade.

Em 2019, o crescimento da segunda quinzena em relação à primeira foi de 11,21%.

De acordo com o Diretor Comercial e de Marketing, Diego Gonçalves, é inegável o impacto do coronavírus.

“Nosso resultado não foi ruim se comparado aos dados nacionais, muito pelo volume importante que temos em segmentos que foram menos afetados, como alimentícios, fármaco e químicos, mas nossas projeções indicavam volumes muito maiores para o período, o que demonstra como as incertezas da pandemia refletem de alguma forma na movimentação de mercadorias”, analisa.

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Sinistralidade

Uma grande preocupação da empresa logo após o anúncio da pandemia foi quanto à possível elevação no índice de sinistralidade, originando maior atenção nas operações da Opentech, sua central e interação com clientes.

A análise de dados da Opentech – considerando-se a fase pré e pós-pandemia – revela ainda a questão da criminalidade nas estradas, com queda no número geral de roubos de cargas nas operações rastreadas pela empresa após o dia 16 de março.

O número de roubos no geral não demonstrou elevação na segunda quinzena de março e nem em comparação com outros períodos estatísticos dos meses ou anos anteriores.

A exceção fica por conta de dois dos segmentos mais visados pelas quadrilhas: farmacêutico e produtos químicos, que registraram aumento nas ocorrências.

O roubo de cargas é assunto importante e pode, por diversos aspectos – como escassez – mudar de cenário e tornar-se crítico, portanto, deve ser gerido dia a dia durante a pandemia, retirando previsibilidade das operações conforme mapeamento contínuo das gerenciadoras de risco.

Outro aspecto diz respeito aos acidentes nas rodovias. A decisão dos governos e órgãos de saúde pública de adotar o distanciamento social e a quarentena fez reduzir também o movimento nas estradas.

Não demorou para que os indicadores da Opentech revelassem queda de 50% nos índices de acidentes, comparando-se a primeira e a segunda quinzenas de março.

Orientações de gerenciamento de risco no período dos impactos do coronavírus

  • Investir em medidas protecionais, seja em equipamentos de redundância na carga ou veículo, no caso de cargas especiais, que tenham valores diferenciados e transporte em horários atípicos;
  • Orientar os motoristas a reduzir ao máximo a quantidade de paradas e aproveitamento do horário permitido para rodagem, respeitando a lei 13.103;
  • Aproximar os times de logística, operacional e transporte, garantindo o melhor planejamento das viagens;
  • Reavaliar o horário de corte para liberação das viagens, de forma a proporcionar paradas bem planejadas;
  • Evitar o tráfego noturno e paradas em regiões do país com maior risco e incidência de sinistro;
  • Não sendo possível a utilização de filiais, priorizar as paradas e pernoites em locais que ofereçam melhores condições de higiene e limpeza, respeitando a liberação na GR da viagem;
  • Pernoitar preferencialmente em locais que sejam bem estruturados, com segurança 24 horas ou estacionamento fechado para mitigar investidas criminosas;
  • Manter plano de treinamento dos motoristas sobre regra de gestão de risco para roubo e acidentes. É hora de implementar os treinamentos e-learning;
  • Ampliar parcerias com empresas especializadas na gestão e no monitoramento das operações, gerenciamento de riscos, pronta-resposta, serviços de inteligência e prevenção a sinistros;
  • Contar com sistemas especializados para a contratação de fretes e motoristas.
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